15/03/2014

Cinco carnavais, uma história



Me lembro de um tempo não tão distante quando minha mãe dizia pra ter cuidado ao sair caminhando pelas ruas de Belo Horizonte “ Está tão vazia que dá até pra andar pelado sem ser preso, é carnaval minha filha” clamava pela casa preocupada com a adolescente querendo beber uma coisa qualquer numa esquina com alguns poucos amigos enquanto outros estavam viajando ainda de férias.

Passado mais um tempo  por um acaso vi tambores gritarem um som desconhecido aos meus ouvidos, passei anos sonando junto a eles e viajava a Recife  para sentir o mesmo som em grande escala, um viva para o Maracatu e todos os outros tambores de Minas que me apresentaram zuadas em bloco durante anos e despertaram a minha vontade de tocar na rua, caminhando em grandes grupos, sentir o corpo e o espírito se transformando dia a dia, com um sol de rachar a moleira ou mesmo em tempestades torrenciais.

Em 2009 algo mudou na cidade, a vontade de ocupação do espaço público se desdobrou em diversas ações divertidas de cunho altamente político, mudou a realidade e abriu os olhos e os ouvidos de uma boa parte da cidade que ainda não tinha conseguido me apresentar nada tão espontâneo e de horizonte tão belo em todos estes anos, nada mais justo que tudo isto se transformar em um bonito carnaval.

2014 - Um bloco por quadra, Axé, Funk, marchinhas tradicionais, concurso de marchinhas locais, concurso de fantasias, Reggae, Ska, Samba, Afoxé, Krishna, Black Music, Pagode, no miolinho da Savassi, no centro da cidade, no alto da Serra ou mesmo na ocupação Rosa Leão, “O pó relou no pé e todos os pés da cidade relaram no pó”, ( se este pó é de quem você está pensando?  “A é cim” ), festas pra quem conseguiu varar a madrugada, rodas de samba em palcos tradicionais sem perder o espírito da mesa de buteco, bandas locais,nacionais e internacionais, turistas, opções antes durante e depois do carnaval  que me davam a impressão de estar novamente em Recife.

Escrito num único sopro, foi assim aos meus olhos que Belo Horizonte escreveu mais um capítulo desta história e estabeleceu a tradição e o calendário do carnaval de rua da cidade que na teoria dura quatro dias mas na prática de 2014 foram quase três meses e ainda não acabou.

O carnaval mora dentro da alma de cada um que vive o espaço público da cidade, é de rua e é de luta, é de todo mundo que com ele se entrega no compromisso único de ser catarticamente amoroso e feliz com o outro e com o espaço, ele ressona com força durante todos os outros dias do ano deixando claro e fortalecendo o corpo e pensamento de cada um de nós que a cidade é de quem nela habita e compartilha do comum.


Obrigado Belo Horizonte!  
Fotos: Ruy Pereira 




01/01/2014

A retrospectiva é a nova realidade


Eu passei o ano seguindo o tempo, tendo cautela, entendendo e reconstruindo, desapeguei do máximo que pude,  achei tudo uma merda, desisti várias vezes, fiquei confusa , chorei um montão escondido no travesseiro, gritei o nome do meu pai, do meu gato, amei de um jeito que não conhecia, entrei em pânico, senti ódio, bebi pra esquecer.

Eu ainda estou me acostumando a entender que o tempo de fora é completamente secundário e quase inexistente, o que importava mesmo era o tempo de dentro, faltava isso para o todo correr com mais calma, mas o tempo de dentro e eu começamos o ano com propósitos bem diferentes.

Eu tinha que aceitar e entender o processo,  o mundo de desapegos sofridos feitos em 2013 foram previstos no fim de dois mil e onze com  o primeiro prêmio do trajeto do afeto, mas eu fraquejei,  eu viajei e deixei tudo aqui, na hora de voltar não sabia o que tinha deixado e como fazer com o que existia, tudo aquilo na verdade era um monte de nada e a vida de dentro era a vida do agora, minha missão era reconhecer o eu no espaço casa, corpo, cidade e arrumar aquela bagunça acumulada durante um ano e meio.

Eu não sei enumerar o que fiz, eu me joguei e sei que doeu a maior parte do tempo, deu um monte de vazio e uns súbitos de alegria completamente desconhecidos, eu me senti feia,  eu tive medo, eu gargalhei e soltei purpurinas como nunca, eu andei de bicicleta,  eu pedi colo desesperadamente.

O tempo me deu uma surra daquelas, eu deixei de viver o que eu chamava de minha vida e me entreguei, eu deixei  a minha vida me viver, tudo que eu busquei deu errado, tudo que eu deixei por conta do tempo resolver chegou na hora certa de chegar e foi perfeito.  

Pela primeira vez, o que menos importa são os feitos, a vida correu num ritmo diferente do que o virtual permite dizer, me importa o que mudou dentro,  tem umas coisas loucas que vivem em mim agora, eu criei memória afetiva, eu pensei no todo, mudei de opinião, eu me deixei sentir,  meditei, eu aprendi a dizer com verdade sobre amor e a família, eu cavei histórias, eu comecei  com essa coisa toda de entender o que estou sentindo e perguntar a mim mesma o que faço com isso respeitando o tempo de reflexão e entendimento dos fatos.  

O tempo de dentro me chamou a respeitar o agora, eu tive o simples o ano inteiro  e várias vezes por puro desespero de não entender o que fazer com tudo aquilo eu me perdi pra ter que me reencontrar a forma do tempo, eu cresci.

“ As coisas tem o tempo das coisas”, repeti muitas vezes, respirando profundo,  com os olhos fechados pedindo entendimento e agradecendo por mais maluco que fosse o que estivesse passando pela minha cabeça, tudo o que aconteceu, tudo que eu imaginei, tudo que eu fiz questão de esquecer, tudo que quis ou neguei,  tudo isto teria algum propósito e quem diria seria ele, o tempo.

Desapegos deixam marcas na mesma proporção de novas memórias, eu me permiti, eu deixei doer, a retrospectiva é a nova realidade, não tem resumo, não teve final, o resultado vem agora, tem uma coisa que fala de amor dentro do meu corpo de um jeito  bom, eu perdi a vergonha de perder, de chorar, de assumir que fraquejei, de ser só menina, sem nome, profissão, sobrenome, rótulos, nada.

Foram muito mais do que doze meses de treinamento, foi o xeque mate de uma construção de anos, eu aprendi a conversar com a minha vida e  a gente resolveu entrar em harmonia com o consenso do tempo e vamos viver o agora que foi planejado para este novo ano, que venham as catarses, eu quero mesmo é amor maior.


As coisas tem o tempo das coisas
Gratidão 2013

20/12/2013

Me quero nua

Eu sigo nua porque é assim que eu me pretendo. Vem comigo.

Minha proposta é que a gente se deixe ser. Quero dizer que gostaria que seguíssemos sem tanto contagio de quereres sem escuta. Simplesmente caminhar... não, não é simples, poderia... Mas pode ser um treinamento condicionado a mudar de curso. Porque é preciso criar condições pra burlar esse estado de obediência convulsiva.

Esse jeito de deixar flui não é desistir dos desejos, nem de ter uma vida fora do sistema. É só tentar viver num estado mais delicado de existência, desta, imersa a uma sociedade um tanto desequilibrada, um pouco esquisita, sem entender bem o que fala, pensa e faz. Sim, temos nossos motivos, nossas rédeas, muitos dedos apontados pra nossa cara e temos nossos fantasmas pra sermos o que somos. O que não nos impede de olhar pra isso e ver o da pra ser feito. Entender o que limita cada corpo e expandir um pouco, experimentar andar sem trilhos.

Pode parecer um pouco aqueles conselhos virtuais citados por Osho, Chico Xavier ou sábios chineses. Jamais seria arrogante a ponto de me comparar a eles.  É que tenho certa implicância com citações dessa ordem e não quero parecer essas pessoas que pregam uma transcendência, uma superioridade de espírito, mas é esquizo como todo mundo. Também não acho que minha coerência seja solida, nem de perto... Apenas busco alguma coisa que me comprima menos. Sinto me comprimida.

Todos buscam. Não sei te dizer o que, talvez seja a busca de querer desafogar os olhos tão fortemente condenados ao vazio. É que esse desafogo depende de uma batalha muito consistente do saber saborear sua pretensão. Talvez seja a busca por um paraíso encantado e inexistente.  É que pra chegar nesse lugar é preciso falar com Deus, ah, isso é só para os iluminados. Talvez seja a busca por si, tão cheia de outros montes de muita coisa, que mais me parece estar soterrada em escombros. É que para chegar em si é preciso afastar o cenário de um mundo criado e que insiste ao nosso redor.

Por isso voltar a caminhar simplesmente nua pode ser uma opção, para ver se assim vem um mínimo de crédito da gente pra gente. Pra ver se nu, descarrega um pouco de carga morta que sobrecarrega os joelhos e a coluna e seguir por ai com menos peso. Sem tanto foco, sem tanta determinação, sem tanto sucesso, sem tanto trabalho para agradar aqueles que sugam almas.

As vezes nu a gente fique mais forte pra entrar nessas lutas de ter um viver mais gostoso. Mais junto.

Me quero nua sim! E acho que não precisa só eu ser assim.

Me da a sua mão?

11/12/2013

Essas Mulheres! ♥

A notícia é de Julho de 2013, mas merece ser vista!

Clique no link:

Querido Daily Mail, Pau no seu ** - por IdeaFixa by Amanda Palmer 

Ou se quiser, assiste direto o vídeo abaixo, a letra é bem didática:


Amanda Palmer, Obrigada!

29/11/2013

Deixar de ser...


Outro dia, vendo Entre Tapas e Beijos, vi a personagem da Andréia Beltrão dizendo uma frase que me marcou muito... Ela dizia: “Não tem como eu  DESnamorar as pessoas que namorei”.

Sim isso mexeu comigo sim... fiquei pensando em algo que o meu irmão vive me dizendo (porque de um tempo pra cá, ele  parou de me chamar de solteirona e cismou que vai fazer uma força tarefa pra ver como me “desencalhar”, contando com a ajuda da sua namorada/noiva). Ele diz que estou sozinha porque sou muito exigente, muito seletiva...  Sim, sou mesmo. Não tenho paciência pro Deus de Ébano que mandava msg no WhatsApp dizendo que o carro “estragoL”, ou perguntado: Você sumiL porque?... deu preguiça de apresentar a letra U pra ele. Pensei, se ele tem problema com as vogais, que são só 5... imagina com as consoantes?!?! Beleza não põe a mesa, nesse caso.

Não tenho paciência com o moço que adora pagode. Sinto muito, tenho bom gosto musical... na minha infância ouvia Beatles, ABBA, Renascence... fazer o que?!? (antes disso, no berço, meu pai já colocava música clássica pra me fazer dormir...).

E tem mais... não tem como eu desaprender os idiomas que falo, não tem como eu desfazer dos amigos lindos/inteligentes/cultos que me rodeiam, não tem como gostar de sertanejo, não tem como trocar um bom espetáculo por um jogo de futebol na TV e não vou trocar um sushi por cachorro quente de barraquinha da esquina (só se for de madrugada voltando da balada!)...

Não, não to querendo amedrontar mais ainda os homens dessas Gerais. Não to falando que o cara tem que ser poliglota, milionário e requintado (se for, normalmente é gay!). O cara só tem que dar conta desta nova geração de mulheres LINDAS, INTELIGENTES, CULTAS, INTERESSANTES e INTERESSADAS. Tem que admirar a coragem de ter vivido, viver e conquistar delas, seja o seu quarteirão, seja o mundo.

Estas também amam e querem ser amadas, muito amadas.

SENHORES valorizem-se! Sejam páreo para estas damas! Sejam dedicados, dividam, aprendam, ensinem. Relacionamento deve ser baseado em troca, seja de saliva, seja de cultura...

Estoy hasta lós cojones de ver os caras mais bacanas do mundo saindo com menininhas tolas e submissas. Abran lós ojos! Sean machos, cabrones!

Homem que é homem de verdade quer ter ao seu lado não mais o sexo frágil, que ter uma mulher corajosa para escalar o muro e chegar ao topo, juntos, parceiros, como deve ser uma boa escalada!